
É comum ouvir críticas sobre a forma como as pessoas em geral se relacionam. São atribuídos adjectivos como “calculistas”, “manipuladores”, “superficiais”, “oportunistas”, “arrogantes”, etc. No entanto, quando tecemos estas críticas em relação ao Outro geral, esquecemo-nos que também nós fazemos parte dessa equação. Por mais que sintamos ter todo o amor e amizade do mundo para dar e que são os outros que não nos permitem abrir e ter relações profundas, a verdade é que está na nossa mão e não na dos outros fazermos essa abertura. Na verdade, se for completamente honesto consigo próprio, poderá comprovar como o medo da verdadeira intimidade está profundamente enraízado na grande maioria de nós. É mais confortável apontar o dedo para um exterior agreste, do que observar os nossos próprios mecanismos de defesa que nos mantêm fechados na familiar prisão da ilusão. Mesmo que fosse verdade que encontramos mais pessoas defensivas e manipuladoras do que pessoas honestas e altruístas, não deixemos que a forma como essas pessoas encontraram de se relacionar connosco e com o mundo determine a forma como nós decidimos relacionarmo-nos com elas e o mundo.
Estamos muito habituados a reagir e não a agir. Quantas vezes, um colega, amigo ou familiar nos confronta com algo de mau-humor e nós reagimos prontamente a esse confronto? Consoante a sua personalidade, poderá dizer a esse colega/amigo/familiar “algumas verdades”, porque é uma pessoa naturalmente extrovertida e frontal, ou encolher-se e sentir-se mal consigo próprio respondendo algo quase imperceptível ou ficando em silêncio, porque é introvertido e inseguro. Tanto uma atitude como a outra são reacções. No momento do confronto, deixamo-nos levar pela energia do outro e, consoante a nossa personalidade, reagimos em conformidade. Contudo, nesse momento não nos apercebemos como estamos a largar mão do nosso poder pessoal. Poderá até parecer que a pessoa que responde na mesma moeda é a que lida melhor com a situação, mas isso é apenas porque crescemos e vivemos numa cultura que valoriza a competitividade e a capacidade de “responder à altura”.
A questão básica na situação descrita acima é que alguém toma a decisão de ter uma atitude bélica e a outra pessoa responde utilizando a mesma energia de combate. Quem imprimiu o tom da discussão em primeiro lugar? E depois, quem decidiu entrar em ressonância com esse tom e aumentar ainda mais a chama da discussão? E, quanto mais nos deixamos embrenhar nestas interacções dissonantes e quanto mais largamos o nosso poder, mais cínicos nos tornamos e vamos aprofundando a crença de um mundo mesquinho e agressor e que nos obriga a uma defesa sem limites.
Agir é diferente de reagir, porque é feito com intenção. Agir já pressupôs ponderação da nossa parte e uma decisão sobre a forma como interagimos com o mundo, muito antes de uma situação específica ocorrer. Dou um exemplo: decido a dada altura que não deixarei que o humor dos outros influencie o meu. Quando, num determinado momento, sou confrontado com as acções enervadas de outra pessoa, eu lembro-me da minha resolução e, nesse momento, tomo uma acção consciente de acordo com os meus valores e princípios, independentemente da opinião/energia do exterior.
É fácil? Não. É sempre mais fácil entrar na onda do que contrariá-la. Mas que tipo de frutos colherá para si e para a sua vida? Quem, em todos os momentos, está presente consigo? Você mesmo. A decisão de ser cínico ou arriscar agir a partir de um lugar de Amor e Compaixão está na sua mão apenas. É ilusória a ideia de que as circunstâncias exteriores são o que determinam o nosso interior. Enquanto acreditar que não consegue agir como gostaria, porque o fulano “x” ou “y” não o permite, está a depositar nas mãos do outro o seu próprio poder.
Como em tudo, não é preciso preocupar-se em mudar da noite para o dia. Por vezes, basta começar a questionar as nossas próprias intenções e reconhecer as mentiras que dizemos a nós próprios todos os dias, para começar a dar passos em frente. É inegável que é mais difícil sermos o melhor de nós em ambientes complicados do que em ambientes agradáveis, mas pense que naquela situação pode escolher ser vítima ou ser mestre de si mesmo. E, se mesmo assim, a cabeça retaliar com comentários como “mas o outro é que tem culpa, porque fez isto e aquilo” ou “ele/ela obrigou-me a tomar aquela atitude”, pense que a única pessoa que tomou a decisão da sua acção/reacção foi você mesmo e mais ninguém.
A comunicação é vital, mas nós vivemos numa sociedade que nos ensina mais a queimar pontes do que a construí-las. E, no meio dessa destruição, ainda sentimos que temos a razão do nosso lado… mas se tentar ver esta questão de um ponto mais elevado de consciência, verá duas pessoas, você e o outro, ambos com as pontes de comunicação em escombros e ambos com a certeza de ter a razão do seu lado, plenamente justificando essa destruição. Que evolução pode acontecer numa situação destas? Nenhuma. Cada um fica convencido da validade das suas atitudes e ambos se afastam sem que nada de positivo tenha sido construído.
Abrir o seu coração nada tem a ver com permissividade ou ser saco de boxe. Ter a coragem de viver de coração aberto e ser vulnerável vem de um lugar de Força e nunca de fraqueza. Vem de um lugar de mestria em que abrimos o coração aos outros, precisamente porque conseguimos reconhecer como as suas atitudes bélicas são defesa para as suas próprias feridas, e não nos sentimos minimamente ameaçados pelas suas atitudes. Não quer dizer que nunca mais se sentirá triste ou ferido por palavras do outro, mas é nesse contacto com as nossas próprias mágoas que encontramos as respostas para o nosso estado interior.
Quando alguém tem uma atitude que me enfurece, a primeira coisa que tento compreender é porque é que me estou a sentir daquela forma. Mesmo que parta do princípio que a intenção do outro tenha sido magoar-me, porque é que dou tanta relevância às suas palavras ao ponto de permitir que me firam daquela forma? E se não teve intenção de me magoar e fê-lo por inconsciência ou ignorância, porque hei-de estar a sofrer por algo que alguém fez sem se aperceber? Este questionamento tem como objectivo encontrar as verdadeiras raízes para as nossas emoções. É que a Mente adora satisfazer-se com o óbvio: o outro foi mau, logo é essa a razão para eu me sentir mal. Só que há muito mais a passar-se nos bastidores que nos faz sentir emoções desagradáveis e é quando começamos a fazer a viagem de redescoberta de nós próprios que ficamos muito surpreendidos com aquilo que encontramos. É que o outro pode ter tido intenções pouco positivas, mas algo em nós decidiu aceitar essa negatividade e usá-la contra nós próprios. Esse “algo” nada tem a ver com o outro nem com as suas intenções ou presença nas nossas vidas, mas sim tudo a ver connosco e com a nossa realidade interior.
Como analogia, é como se alguém nos tivesse atirado uma bola e nós a tivéssemos agarrado automaticamente. Podemos alegar que é lógico agarrarmos uma bola que nos é atirada directamente, mas a verdade permanece: podíamos ter decidido deixar a bola cair no chão.
“Largar a bola” não significa calar-se ou afastar-se (se bem que se sentir ser a melhor atitude, siga a sua intuição), mas sim significa não aceitar utilizar a energia gerada pelo outro e partir do lugar da nossa Verdade interior. Esta Verdade interior é a fonte da nossa Paz, Confiança e Compaixão e podemos usá-la para atravessar situações complicadas e construir algo de positivo. Isto sim é Evolução. E o melhor de tudo, é que quando usa esta energia de vibração elevada, vai influenciar tudo ao seu redor. E, em vez de ser a energia bélica a disseminar-se e determinar a qualidade da energia circundante, esta é transmutada pela energia de Luz gerada por si e impregnará tudo à sua volta. Pode ser profundamente transformador para si e para as pessoas a assistir. Não é por acaso que se diz tantas vezes que as pessoas lideram através do exemplo. Porque palavras bonitas em tempo de Paz toda a gente consegue proferir, mas são as nossas acções em tempos de conflito que reflectem a nossa Verdade interior e que têm mais impacto em nós, nos outros e no mundo.
Para o ajudar a começar a entrar em contacto com a sua Verdade e destapar as várias camadas emocionais e psicológicas que foi acumulando, fica aqui a sugestão de afirmação que poderá usar quando quiser e sempre que quiser. Mais uma vez, estas afirmações nada têm a ver com religião ou crenças específicas, pois a fonte de Amor Incondicional é a mesma, escolha a designação com a qual se sentir mais confortável e esteja à vontade para invocar outro nome/designação:
“Universo/Eu Superior/Deus/Deusa/Anjos e Arcanjos de Amor Incondicional/Mestres Ascensos de Amor Incondicional/Fonte de Amor Incondicional/Jesus/Forças da Terra e Cósmicas de Amor Incondicional…
Peço a vossa ajuda com as minhas emoções e pensamentos. Peço que me ajudem a estar em contacto permanente com a minha Verdade interior e com o meu Eu Superior para que possa receber a energia e as mensagens certas na altura certa. Protejam-me para que não seja minimamente influenciado por energias dissonantes, incluindo energias mentais e emocionais e/ou intencionais de outros. Ajudem-me a manter-me centrado em situações de conflito e a saber usar as minhas palavras e acções para disseminar Amor e transmutar as energias circundantes para que a sua vibração aumente até ao máximo. Afastem do meu caminho todas as pessoas e situações que me sejam prejudiciais e tragam até mim as pessoas, as circunstâncias e as situações perfeitas para os meus propósitos mais elevados. Agradeço a vossa ajuda e presença na minha vida e confio que tudo está a ser cuidado para o Bem de todos.”
Lembre-se, semeie aquilo que deseja colher mais tarde 🙂
Muita Luz,
Sofia